Você acha que está “hackeando” a obesidade.
Acredita que a caneta é a solução mágica que permite pular a etapa do esforço, da disciplina e da mudança real de vida.
Um estudo publicado esta semana no The BMJ traz um choque de realidade que muitos consultórios preferem ignorar:
💥 Após a interrupção da medicação para obesidade, o reganho de peso ocorre de forma significativamente mais rápida do que após intervenções baseadas apenas em dieta e exercício.
Por quê?
1️⃣ Freio químico vs. reeducação metabólica
Os agonistas de GLP-1 atuam como um potente freio neuro-hormonal do apetite. Ao suspender a medicação, o organismo tende a retornar ao seu set point energético prévio, frequentemente com hiperfagia compensatória. O estudo mostra um reganho médio em torno de 0,4 kg/ mês após a suspensão, enquanto estratégias comportamentais apresentam uma recuperação mais lenta (0,1kg/mês).
2️⃣ O vazio comportamental
Quem emagrece com dieta e exercício, ainda que com sofrimento, está reescrevendo hábitos, rotinas e circuitos de decisão. Quando a intervenção farmacológica não é acompanhada dessa reconstrução psíquica e comportamental, a retirada da droga deixa o paciente com os mesmos gatilhos, o mesmo ambiente e poucas ferramentas de enfrentamento.
3️⃣ Obesidade é crônica, não infecciosa
Você não trata obesidade como quem trata uma infecção. Usar a medicação por alguns meses e interromper sem um plano estruturado de manutenção é um erro clínico previsível, não um “azar metabólico”.
❌ Onde está o erro central?
Usar a medicação para substituir a mudança de vida, quando ela deveria viabilizar essa mudança.
💊 A farmacoterapia é uma ferramenta excelente, mas ela é um andaime, não o alicerce. Se a mente, o comportamento e o estilo de vida não mudarem enquanto o andaime está montado, o colapso após a retirada não é uma possibilidade, mas um desfecho inevitável.
Fuja dos atalhos.
Referência:
West S et al. Weight regain after cessation of medication for weight management: systematic review and meta-analysis. BMJ 2026;392:e085304.
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